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Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos revisa caso e aponta assassinato de Juscelino Kubitschek

BRASÍLIA  — Um novo relatório elaborado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aponta que o ex-presidente J...

BRASÍLIA  Um novo relatório elaborado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek pode ter sido vítima de assassinato, e não de um acidente automobilístico, como sustenta a versão oficial divulgada na época de sua morte, em 1976, durante a ditadura militar brasileira.

O documento, elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, revisa os eventos que levaram à morte do ex-presidente e de seu motorista, Geraldo Ribeiro, em 22 de agosto daquele ano. Segundo o relatório, novas análises e documentos levantam a hipótese de que o episódio possa ter sido resultado de um atentado político. Apesar das conclusões preliminares, o Ministério dos Direitos Humanos informou que o estudo ainda está em fase de avaliação pelos membros da comissão e que nenhuma decisão final foi tomada. Em nota enviada à imprensa, o ministério afirmou que o relatório ainda precisa ser analisado e votado pelos integrantes da CEMDP.

“As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão está em análise pelos membros e não foi votado até o momento”, disse a pasta.

Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil entre 1956 e 1961, morreu aos 73 anos em um acidente automobilístico no quilômetro 165 da Rodovia Presidente Dutra, nas proximidades de Resende (RJ). De acordo com a versão oficial divulgada na época, o Chevrolet Opala em que ele viajava teria se envolvido em uma colisão leve com um ônibus, perdeu o controle e atravessou para a pista contrária, colidindo frontalmente com um caminhão.

No acidente morreram o ex-presidente e seu motorista, Geraldo Ribeiro. O motorista do caminhão envolvido na colisão, Ademar Jahn, sobreviveu.

O caso, no entanto, sempre foi alvo de questionamentos. Em 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, concluiu em um relatório que o ex-presidente e seu motorista foram vítimas de um atentado político. Segundo o documento, o motorista teria perdido o controle do veículo após ser atingido por um tiro na cabeça.

Na ocasião, o motorista do caminhão afirmou ter visto Geraldo Ribeiro com a cabeça caída entre o volante e a porta do automóvel logo após a colisão.

No entanto, a Comissão Nacional da Verdade, instituída em 2011, chegou a uma conclusão diferente. Em seu relatório final, divulgado em 2014, o órgão afirmou que não havia evidências materiais que indicassem que Juscelino Kubitschek e seu motorista tenham sido assassinados.

“Não há documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise qualquer elemento material que sequer sugira que o ex-presidente e Geraldo Ribeiro tenham sido vítimas de homicídio doloso”, afirmou a comissão à época.

Agora, com o novo relatório da CEMDP, o caso volta a ser analisado e reacende o debate sobre as circunstâncias da morte de um dos principais líderes políticos do Brasil no século XX.

Caso seja aprovado pelos membros da comissão, o documento poderá levar à revisão oficial da versão histórica sobre a morte de Juscelino Kubitschek. Até o momento, porém, não há previsão para a votação do relatório.

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