Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian, à direita, em reunião com autoridades do governo iraniano em Teerã, em 2025. Fotografia: Gabinete...
Khamenei e o presidente Masoud Pezeshkian, à direita, em reunião com autoridades do governo iraniano em Teerã, em 2025. Fotografia: Gabinete do Líder Supremo do Irã/EPA
TEERÃ — Está morto o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, aos 86 anos. A morte foi divulgada oficialmente na noite de sábado (28), por volta das 22h no horário de Telávia, após bombardeios conduzidos por forças dos Estados Unidos e de Israel contra alvos estratégicos iranianos.
Segundo informações divulgadas por autoridades e agências internacionais, Khamenei morreu durante os ataques aéreos que atingiram diferentes pontos do país. O líder iraniano teria sido morto junto a familiares e importantes figuras militares e políticas, entre elas o conselheiro Ali Shamkhani, o comandante militar Abdolrahim Mousavi e o general Mohammad Pakpour.
Ali Khamenei chegou ao poder em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã. Antes disso, havia exercido o cargo de presidente iraniano entre 1981 e 1989.
Sua escolha como líder supremo foi feita pela Assembleia dos Peritos, órgão composto por 88 clérigos xiitas responsáveis por supervisionar e nomear a mais alta autoridade política e religiosa do país.
Como líder supremo, Khamenei concentrou amplos poderes institucionais, tornando-se comandante-em-chefe das Forças Armadas iranianas — incluindo o Exército regular (Artesh) e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) — além de exercer influência decisiva sobre política externa, segurança nacional e o programa nuclear iraniano.
Influência regional
Durante mais de três décadas no poder, Khamenei liderou o fortalecimento do chamado “Eixo da Resistência”, aliança regional contrária à influência ocidental e israelense, composta por grupos e governos aliados ao Irã no Oriente Médio, como o Hezbollah no Líbano, facções palestinas, milícias xiitas no Iraque, os houthis no Iêmen e o governo sírio de Bashar al-Assad.
Seu governo marcou a consolidação do Irã como potência regional, mas também foi alvo constante de críticas internacionais por violações de direitos humanos, repressão a protestos internos e apoio a grupos armados classificados como organizações terroristas por países ocidentais.
Sob sua liderança, o país alternou períodos de tensão e negociação com o Ocidente, incluindo o acordo nuclear de 2015, posteriormente abandonado pelos Estados Unidos em 2018, o que levou à retomada de sanções econômicas severas contra Teerã.
A economia iraniana sofreu forte deterioração nas últimas décadas, com inflação elevada, desvalorização da moeda nacional e crescente insatisfação popular.
A morte de Khamenei ocorre em meio à maior escalada militar entre Irã, Estados Unidos e Israel em décadas, levantando incertezas sobre a sucessão no comando da República Islâmica e o futuro político do país.
De acordo com a Constituição iraniana, a Assembleia dos Peritos deverá iniciar o processo de escolha de um novo líder supremo.
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